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Daniel, O Jovem Santo (Dn 1.8,20-21)


Daniel era um jovem de linhagem nobre. Havia recebido educação, era polido um verdadeiro cavalheiro. Se atendeu às exigências do rei Nabucodonosor (Dn 1.1-7), então podemos entender que ele era de boa aparência. Se você se lembra das aulas de história, vai recordar que houve um tempo em que Israel e Judá foram atacados por inimigos e sofreram duas deportações: pelos assírios e babilônicos respectivamente (2 Rs 17.6; 2 Rs 24.10-17; Jr 25.11). Imagine: inimigos surgem de uma terra estranha, entram em nossa cidade, queimam nossas casas, matam nossos soldados, escravizam as mulheres. Eles selecionam as pessoas saudáveis, as amarram em correntes levando para uma terra estranha. Os velhos são deixados para trás para morrer, no meio do caos e fumaça. É num cenário assim, no ano de 605 a.C., que vamos encontrar o personagem Daniel. O livro que leva o seu nome (um dos mais bem organizados da Bíblia) começa já relatando a situação em que se encontrava o personagem, seus amigos Mizael, Hananias, Azarias e a juventude de sua época:

“No ano terceiro do reinado de Jeoaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei de babilônia, a Jerusalém, e a sitiou. (...) E disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel” (Dn 1:1,3).

Eles foram acorrentados e forçados à marchar, deixando para trás familiares mortos, sonhos reduzidos a pó. Os que se atreviam a levantar a cabeça e olhar à frente viam que diante deles se estendia o longo caminho da escravidão na Babilônia. Babilônia: uma palavra que serve para dar nome a capital e também para uma nação. Tipo, igual São Paulo capital e São Paulo estado. No mapa atual, ela fica entre o Golfo Pérsico e a agitada Bagdá. Era uma cidade com muros duplos enormes (Jr 51.58), que permitiam a passagem de carruagens por entre eles, casas construídas com tijolos de barro, pontes, templos gigantes para os deuses e jardins esplêndidos. Como você já deve ter ouvido, esses jardins são considerados uma das sete maravilhas do mundo antigo. No passado distante, foi desse lugar que Abraão migrou para a terra que Deus lhe daria por herança (Gn 11.31; 12.1,2).

Nesse lugar, a terra era preta e fértil, com muitos canais de irrigação (Sl 137.1-2). Bois, carneiros e jumentos se misturavam a animais selvagens como panteras e javalis apressados correndo pelas extensas plantações entre os pântanos dessa cidade-estado com milhares de habitantes idólatras. Estes, adoravam deuses da natureza: Marduque, o padroeiro da cidade, Enlil, deus do vento, Anu deus do céu, Istar, deusa do amor, dentre outros. Os templos ou zigurates se elevavam além do horizonte, e possuíam sacerdotes bem pagos para cuidarem dos assuntos divinos e da adoração. Era uma terra de muitos deuses. De muitas possibilidades.

Para os jovens hebreus, parecia um prato bem atraente de manjar. Estavam amargurados, feridos, depressivos e sem perspectiva de futuro. Porém chegaram numa terra diferente: um lugar bonito, uma potência, um lugar promissor. Hábitos de vida que traziam satisfação, prazer imediato (que eles não tinham à muito tempo). Boa comida, festas aos deuses.

Ah, eles tinham os deuses. Não um Deus sem rosto como o de Israel, mas deuses da natureza, com sentimentos, simpatias e fraquezas humanas. Certamente os deuses da Babilônia como o vingativo Nergal e a luxuriosa Istar os entenderiam muito bem. Olhando para esse quadro, não é difícil entender que os jovens cativos enfrentaram desafios em seu tempo, muito parecidos com os que enfrentamos nos dias de hoje. O desejo de passar para o outro lado, onde “o gramado era mais verde” era intenso.

Afinal, que virtude esses rapazes tinham que os mantiveram de pé? Que poder esses valentes tinham que os alimentava, e fazia os manjares da Babilônia perderem o brilho? Vamos conhecer mais de perto um deles - Daniel. Vamos olhar na galeria dos heróis de Deus e aprender com os detalhes dessa pintura emoldurada na galeria dos céus.

Quando chegou na Babilônia ele recebeu treinamento para aprender a língua dos caldeus e outros protocolos da corte. Ele e seus amigos viveriam para servir ao rei pagão. Comeriam de sua mesa e de todos os seus manjares. Teriam prazeres e diversões. Os supervisores deveriam trabalhar duro para deixar os jovens escravos à altura de servir o soberano da Caldéia. É nesse contexto de trevas que a luz do jovem Daniel brilhou forte, rasgando os séculos e chegando até nós como exemplo de santidade a ser seguido.

O cardápio da Babilônia incluía muitos alimentos gostosos. Os caldeus já sabiam manusear o leite e fabricar derivados, faziam pães, molhavam com xarope de uvas ou comiam com tâmaras. Consumiam cerveja, carne de carneiros, sapos, cobras e peixes. Muitos dos peixes vindo dos rio Eufrates, eram proibidos pela lei de Moisés. E Daniel não estava a fim de comer picadinho de serpente. Então, ele e seus amigos fizeram um pedido inusitado: em vez do alimento real, eles queriam comer vegetais e água durante dez dias (Dn 1.8). O pedido foi atendido, e passado o período da preparação, os jovens judeus se mostravam mais saudáveis do que outros jovens que passaram os dias enchendo a barriga com cozido de sapos, cerveja e manjares esquisitos.

Como Deus agraciou seus servos com sabedoria, logo eles foram elevados acima de todos os sábios da corte. Daniel chegou a ser governador e se tornou um homem poderoso, muito rico (Dn 2.46-48) servindo ao longo do tempo muitos monarcas: Nabucodonosor, Belsazar, e também o rei Medo Dario, que conquistou a Babilônia em 539 ac.

Enquanto servia o rei, Daniel unia propósito, vocação e profissão, Daniel era exaltado e o nome do Senhor era engrandecido. Pessoas reconheciam a soberania de Deus por todo reino. Um desses momentos merece destaque: certo dia o rei Nabucodonosor acordou depois de uma noite atribulada com muitos sonhos. O problema é que embora os sonhos o perturbassem, ele nem se lembrava o que tinha sonhado. O desafio sobrou pra Daniel, que orientado pelo Senhor Deus, contou o sonho ao rei e o interpretou fazendo saber ao soberano o seu significado.

Vinte anos se passaram e parece que Daniel ficou meio esquecido pelos reis que sucederam o poderoso Nabucodonosor. Porém quando o rei Dario conquistou a Babilônia, reconheceu os talentos de Daniel e o exaltou como chefe do conselho. Foi durante esse reinado que os companheiros de trabalho de Daniel o invejaram, e com suas tramas fizeram que ele fosse lançado na cova dos leões (Dn 6). Esse livramento acabou por exaltar a Daniel, glorificar o nome do Senhor “... o Deus vivo e que permanece para sempre, e o seu reino não se pode destruir, e o seu domínio durará até o fim.” (Dn 6:26). E os companheiros de Daniel? Foram incluídos no menu dos leões...

Daniel viveu até os 90 anos, e parece que era um velhinho bem saudável. Em toda sua vida, passada em sua maioria no cativeiro ele foi um exemplo de santidade, temor e fé. Exercitava a disciplina da oração de uma maneira regular e possuía notável sabedoria (Ez 28.3).

Tão logo chegou no exílio, ainda bem jovem, seu nome foi trocado de Daniel (que significa “Deus é meu juiz”), para Beltessazar (Bel, ou “Marduque protege o rei”). Foi a primeira investida do inimigo contra a vida do jovem: fazê-lo esquecer quem ele era e associá-lo aos deuses da Babilônia. Era uma tentativa de enfraquecer a comunhão de Daniel com o seu Deus e com sua pátria.

Em nossos dias essa estratégia ainda é muito útil a Satanás, nosso inimigo. Ele sempre trabalhará para enfraquecer sua ligação com o Senhor Jesus, para fazer você esquecer que de quem você é. Sua verdadeira identidade, seu destino nessa terra. Uma pessoa que não sabe quem ela é, se contentará a viver com as migalhas. Lembra-se do filho pródigo? Ele esqueceu que tinha uma cadeira reservada na mesa do pai, e chegou ao extremo de desejar as comidas dos porcos (Lc 15.11-32). Um jovem que não sabe quem é, não sabe seu propósito, seu destino. Então viverá uma vida sem sentido, vazia e errante.

Anote isso em letras garrafais: o primeiro passo para uma vida transformada é entender quem você é em Cristo (Ef 1. 3-11). Que é amado. Um jovem que é amado é capaz de amar, ele não concentra expectativas em coisas ou pessoas. Ele sabe que somente Jesus é a fonte que lhe traz satisfação.

É difícil imaginar Daniel impaciente, desesperado ou acelerado. É só ler o livro, e percebemos um jovem moderado, calmo e cheio de paz (2 Co 5.17-21). Parece que a Babilônia inteira com sua glória e riqueza, as belas mulheres e a boa comida não conseguiam impressionar esse jovem. Sua ansiedade era para que chegasse logo o momento de orar com o rosto voltado para os lados de Jerusalém (Dn 6.). Embora o mundo tentasse lhe atribuir uma falsa identidade, ele sabia o seu nome verdadeiro. Filho. Amado. Herdeiro de uma herança preciosa (1 Jo 3.1-2; Jo 1.12).

Havia um esforço por parte dos supervisores de Daniel em moldá-lo para servir aos propósitos da Babilônia. Para infundirem nele a cultura pagã. Reconhece a semelhança? Isso acontece hoje também. Existe um empenho por parte da cultura do momento para subjugar nossa verdadeira natureza e implantar em nossas mentes um modo de viver profana.

Tudo que Deus criou, saiu de suas mãos perfeito. Mas precisamos entender que o pecado corrompeu todas as esferas da vida humana. Nossa cultura então “jaz”, como diz o apóstolo João (1 Jo 5.19). Ela está morta, cheia de distorções e inconformidades, quando comparada ao plano perfeito de Deus.

Como jovens, temos a escolha de adotar a cultura Babilônica, ou implantar (trazer para essa terra) a cultura do reino. Isso quer dizer que só existem dois lados, ou você influencia, ou é influenciado. Hábitos destrutivos rondam sua vida: sexo livre, aventuras proibidas, vícios, bebidas. Ceder a estes hábitos é se contentar com menos do que você merece. Qual a sua decisão? Vai engolir os sapos dessa vida até quando?

O chamado a implantar a cultura do reino é urgente. Pela cruz, Deus te chamou para ser salvo, para descobrir sua verdadeira identidade. E Ele espera que tendo essa mudança de mente você assuma a sua responsabilidade de filho, de protetor dos interesses divinos nessa terra. Pela atuação do Espírito Santo (que te santifica), Ele espera que você santifique seu espaço de atuação. Escola, família, faculdade, trabalho, vizinhança: todos influenciados pela sua maneira de viver.

Na cruz, Jesus fez muito mais por nós do que simplesmente nos salvar. Ele nos investiu de autoridade. Observe: os conselhos de Daniel nortearam decisões de diferentes reinados, em épocas com desafios diferenciados. Ele foi colocado em posição de autoridade, definindo destinos de uma nação.

Em Daniel 1.8. está escrito que ele “decidiu firmemente”, não se contaminar. Estas palavras sugerem uma decisão convicta, precisa e de muita ousadia. Somos seres livres, dentro de nós está o poder de decisão. Nossa alma, onde o livre arbítrio mora, pode se inclinar para as coisas da carne, ou para as coisas do espírito. Note que Daniel decidiu firmemente. Seguir à Jesus e viver seu propósito exige firmeza nas decisões, nadar contra a correnteza, ir na contramão do mundo. Como pois prevalecer, continuar manter-se de pé? A força para essa firmeza já está disponível em Cristo, e na obra completa que Ele fez na cruz do calvário. Busque pelo Espírito Santo e decida ser um jovem santo (Gl 5.16-17). Ao escolher viver uma vida santa, toda uma geração é beneficiada com sua decisão. O relacionamento de Daniel com seu Deus, levou uma nação, reis e muitas pessoas a conhecerem e amarem a Deus. Você também pode ser esse agente de transformação, levando Jesus ao mundo caído através de sua conduta. Você jovem, é hoje a resposta de Deus para essa geração.


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