top of page

Jesus, Filho


O vocábulo grego para a palavra filho, Υἱὸς, foi empregado em relação a Cristo algumas vezes no Novo Testamento. Hoje, quer-se frisar sua aplicação associada aos termos homem e Deus apenas em dois excertos nos evangelhos de Mateus e de Lucas.


Nos textos, respectivamente - “Porque o Filho do Homem veio salvar o que estava perdido.” e “por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus.” – vê-se uma relação de derivação do termo filho junto às palavras homem e Deus, ou seja, há duas identificações de naturezas imputadas a Jesus que evidenciam finalidades distintas (BÍBLIA, Mateus, 18, 11; Lucas 1, 35, grifos nossos).


Existe o sentido literal da palavra filho na linguagem bíblica segundo Galvão Junior (2019): (i) relacionado àquele que descende de um homem e de uma mulher; (ii) porém a locução pode indicar o indivíduo que pertence a uma classe ou guilda; (iii) assim como existe a possibilidade, na expressão filho de + (o, a), de a preposição “de” ser usada como genitivo para indicar características da pessoa referida.


De acordo com Ryrie (2007), a expressão Filho do Homem identifica Jesus com sua natureza humana e com a obra da redenção que estava sob seu mister desenvolver. No que lhe concerne, a locução Filho de Deus demonstra a natureza divina do Mestre, daquele que descende do Pai e possui os mesmos atributos da deidade.


Como Filho do Homem, Jesus percebeu o desenvolvimento físico, emocional e espiritual a que todo ser humano está sujeito, contudo, sem partilhar da mesma natureza adâmica caída que fora transmitida para o restante da humanidade. A tendência para o erro não figurava o íntimo do Senhor e, por permanecer incólume, o segundo Adão se mostrou apto para representar os salvos diante de Deus:


Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. Porque até ao regime da lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei. Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir. Todavia, não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos. (BÍBLIA, Romanos, 5, 12-15).


Através do que escreveu o líder da igreja em Jerusalém e meio-irmão de Jesus Tiago, infere-se que Cristo não possuía a natureza divina apenas, mas a humana também: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta.” (BÍBLIA, Tiago, 1, 13, grifo nosso).


Diz-se isso, porque se Jesus fosse Deus somente, aquele episódio de sua tentação no deserto, bem como muitos outros não registrados, mas deduzíveis durante sua estada aqui seriam inconcebíveis, haja vista ser Ele Deus e, assim, não exposto ao pecado.


O apóstolo João apresentou a encarnação do Filho de Deus de forma extraordinária (BÍBLIA, João, 1, 1-18):


No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela. [...] O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai. [...] Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.


A dupla natureza de Cristo, Deus e homem, nunca há que ser declinada, pois a criação o deve adorar incondicionalmente e reconhecer que Ele se humilhou e suportou todas as dores e testes para reconciliar o homem com Deus. Paulo se refere a Jesus diante dos crentes em Colossos da forma seguinte:


Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus. (BÍBLIA, Colossenses, 1, 15-20).


Jesus é Deus e homem. Sua humildade foi tamanha que a expressão preferida usada para a autodesignação foi Filho do Homem, empregada em indicação de sua natureza humana e da salvação que outorgou à humanidade. Reconheça e adore Jesus, Filho do Homem e Filho de Deus!


Prof. Leonardo Rabelo Paiva

Escola de Formação Cristã - EFC/CEFA

0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
bottom of page