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Unidade em amor


O sociólogo e filósofo francês Morin (2011) expôs que as pessoas partilham características genéticas, anatômicas, fisiológicas, psicológicas e afetivas; dessarte, a despeito da cultura, todos sorriem e choram. Essas correspondências humanas deveriam trazer unidade, independente das características particulares que diferenciam uns dos outros, isto é, a diversidade (MORIN, 2011).


Inicia-se o discurso com esse ponto de vista de Edgar Morin para manifestar um dos aspectos da intercessão de Cristo em favor dos seus primeiros discípulos e dos demais que viriam a crer no Filho de Deus um pouco antes de ser o Senhor conduzido à presença dos próprios acusadores (BÍBLIA, João, 17). Jesus rogou pelos seus ao Pai da forma seguinte:


Já não estou no mundo, mas eles continuam no mundo, ao passo que eu vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós. [...] Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; (BÍBLIA, João, 17, 11, 20-21, p. 1.041-1.042, grifos nossos).


A Igreja é a expressão máxima da unidade almejada por Deus quanto aos crentes em Cristo, singularidade que se intenta em tamanha amplitude a ponto de Jesus comparar o dever ser cristão com a comunhão que possui com Deus Pai de acordo com o final do verso 11 do capítulo 17 do evangelho de João.


Deus quer que o fiel partilhe planos, experiências e problemas com o irmão em Cristo, ao qual compete ser digno de confiança para ouvi-lo, alegrar-se com suas conquistas e aconselhá-lo sobre o melhor direcionamento diante dos impasses que convive. À Igreja cumpre ser um organismo maduro para aperfeiçoamento dos santos em amor.


Ademais, o Senhor instruiu os discípulos um pouco antes cronologicamente conforme se observa: “Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras.” (BÍBLIA, João, 14, 10, p. 1.038, grifos nossos).


Como é íntimo e peculiar o relacionamento entre a Primeira e a Segunda Pessoa da Triunidade nessa espécie de conexão assimilativa existente na divindade, que houve descortinada por Jesus como se Cristo tivera dito: Eu faço parte dele e Ele faz parte de mim. No texto, desvendou-se para o ser humano o vínculo místico de pertencimento que há entre o Pai e o Filho, conjunção que compete a cada membro do Corpo do Senhor submeter-se mutua e similarmente.


Se a oração de Jesus foi para que seus discípulos se tornassem um como Ele é com o Pai, nada menos do que indivisível nos propósitos do Reino a Igreja há de ser. Daí, o auxílio recíproco e o amor incondicional incumbirem permear o relacionamento cristão, abstraídas as diferenças de personalidade e demais particularidades que distinguem uns dos outros.


Não esqueça que a unidade e a identidade dos membros da Igreja mostram-se no exercício do amor perfeito e incondicional que Cristo determinou como compromisso a existir no seio do seu povo:


Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros. (BÍBLIA, João, 13, 34-35, p. 1.038, grifo nosso).


Em vista do que se expôs, Cristo faz-se conhecido também através do amor em unidade que existe no convívio dos que professam seu nome, ou seja, Deus prova estar presente quando o Espírito transforma o coração do cristão para receber e expressar a singularidade do amor divino (CALVINO, [15--?], apud BÍBLIA, Primeira João, 4, 12-13).


Prof. Leonardo Rabelo Paiva

Escola de Formação Cristã - EFC/CEFA

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